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Montanhas Lindas

Serra de Soajo, onde nos sentimos mais perto do Céu

Montanhas Lindas

Serra de Soajo, onde nos sentimos mais perto do Céu

wolf-1955518_960_720.jpg Lobo na serra de Soajo

abutres.jpgPelo ar os abutres ...

aguia.jpg... e também as águias


Vejam a serra de Soajo aqui, no Flickr https://www.flickr.com/photos/132167204@N05/albums/


As fotos em cima podem ser um lobo na serra de Soajo a caminhar na minha serra com os garranos e as rainhas da montanha, pela Corga da Vagem, pela Naia, pelo Curral do Pai, pela Serrinha, pela Derrilheira, … é mesmo lindo! Mas os lobos pouco se notam. Vieram os abutres e as outras aves de rapina também têm estado de abalada. Esta é a minha serra.

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 Em 09-08-2009, comemos os rojões na Corga da Vagem

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E assim foi tudo aviado a meio da caminhada


Depois? Bem, depois ... vamos caminhando!


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30.01.21

Fojos do Lobo na serra de Soajo


Luiz Franqueira

A serra de Soajo tem vários fojos de lobo. Apresento aqui um, aquele em que obtive a alforria necessária para a caça ao lobo, em três montarias. Este é o fojo do lobo a que atribuímos vários nomes. O fojo do lobo da Seida, o fojo do lobo da Brusca, o fojo do lobo de Gorbelas, o fojo do lobo das Forcadas. Ele está enquadrado por estes nomes porque são os mais próximos. Um dos seus braços vem das redondezas do Poulo da Seida, o outro vem das proximidades da fonte das Forcadas. Gorbelas, porque a branda dos rouceiros está por trás do monte, á direita do buraco do fojo. A brusca são todos aqueles montes após o términos da Naia que vão até ao fojo. É o nosso fojo, na foto. Provavelmente o mais bem conservado e, não fosse a protecção ao lobo e bem, ainda permitiria algumas caçadas ou montarias. Penso também que será o melhor colocado estrategicamente para esta área da serra de Soajo.

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O Fojo do lobo de que vos falo é este. Na junção dos dois muros, o buraco

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Estes são os braços do fojo que se juntam no buraco. O da nossa esquerda desce de perto da fonte das Forcadas. O da direita vem da Seida

Do lado de cá do buraco do fojo fica a Brusca, nos meus velhos tempos, cheia de matos e fragas com buracos adequados a fazer de covil, local onde algumas lobas pariam. Em 1980, atravessei esse sítio com um puto de 9 anos, do buraco do fojo até ao Muranho e os fetos, em certos locais, eram mais altos do que eu. Fomos ter por baixo do Poulo do Muranho e ainda subimos para ir beber água à nossa mais bela nascente. Havia sítios que eu saltava, depois estendia os braços para o apanhar quando ele saltasse. A brusca era também um local de víboras. Não sei se elas terão resistido ao fogo de 2006 porque as cobras, atacadas pelos fumos perdem o tino e vão cair ou meter-se no meio do incêndio, como vi, quando puto, num fogo no Curral Coberto, entre a Assureira e Ramil, Cunhas.

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Uma amostra de como eram os muros ou braços do fojo do lobo, nesta foto da nossa amiga Mónica Oliveira

Os muros, na sua face interior eram o mais perfeitos possível para os lobos não os escalarem e, na sua face exterior eram irregulares para permitir que os monteiros ou caçadores chegassem ao topo para visualizarem a posição dos lobos. Com os anos os muros foram sendo derrubados pelos pastores para que permitissem a passagem dos gados. Era nesses buracos dos muros derrubados que se instalavam as pessoas para que os lobos que entrassem no espaço entre os muros, rumo ao buraco não fossem capazes de sair.

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Garranos na serra de Soajo, cavalos para os deuses

06.01.21

Eu nasci na serra de Soajo


Luiz Franqueira

Foi há 75 anos!

Foi por lá, na bela serra de Soajo, pelas suas fraldas, que eu aprendi a caminhar e a observar as belezas que a sua bela Natureza nos oferece. Foram 15 anos dos quais não me esqueço.

Hoje, ao caminhar pela serra de Soajo, vivo, em sonhos, mais de meio século depois, os primeiros 15 anos da minha vida.

Como já tenho dito, por aqui, recordo, sonhando, aquelas pequeninas passadas que ia dando agarrado às saias da minha mãe para não beijar as pedras que, "estoicamente" me ameaçavam, numa espera permanente, aguardando mais um tropeção.

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As rochas graníticas metamorfizadas no Alto da Pedrada, resultado de milhões de anos da acão dos gelos, das alterações térmicas e não só, foto de 12.10.2010

Ainda hoje vivo, em sonhos, as passadas que dava agarrado à mão de meu pai, especialmente, ao atravessar as águas que lenta ou rapidamente desciam as encostas, seguindo sempre as descidas da gravidade apontando sempre rumo ao rio Lima, lá em baixo.

Vivo, em sonhos, o caminhar atrás das vacas, alargando sempre a passada, tão larga, quanto possível, até um dia atingir o Alto da Pedrada.

A Pedrada!

Sim! Aquele amontoado de pedras que a filha de um rei qualquer das Astúrias teria juntado para construir o tal palácio.

A lenda é bonita. Muito bonita!

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As mesmas rochas vistas, cá de baixo, quando subia do Fojo do Lobo do lado de Travanca, foto de 12.08.2010

É bonita porque nos fala de valores humanos e de beleza.

Essa filha desse tal rei, uma bela princesa, sentia-se infeliz na sua terra de nascimento. Andava sempre triste e seu pai, o rei, estava preocupado com ela e achou que a filha precisava de conhecer mundo. Os dois acordaram no seguinte: a princesa iria caminhar na direção que quisesse procurando uma terra onde se sentisse feliz ou encontrar um local que lhe agradasse para aí construir um palácio.

Assim foi. Depois de percorrer várias terras, atravessar rios, vales e serras, foi dar com uma montanha linda. Olhou em volta e, tudo o que via lhe agradava. Só via serranias e vales profundos e, depois de tanto observar o que a rodeava, apressou-se a informar o seu séquito que era ali que construiria o seu palácio. Por isso, enquanto iria às Astúrias informar o seu pai podiam começar a transportar as pedras para a construção.

Regressou e chegando junto do seu pai, informou-o de que a sua vida iria mudar radicalmente. Tinha encontrado o seu local desejado para a construção do seu futuro palácio e já deixara lá parte dos seus acompanhantes para darem início aos trabalhos. Já começavam a juntar as pedras para a construção.

Pegou nas mãos do pai esfregando-as e disse-lhe: «pai, não haverá local mais bonito no mundo. Todo o horizonte em redor daquele sítio é fabuloso. Montanhas e mais montanhas a perder de vista e por cima dos cabeços das montanhas somos acariciados por uma brisa marítima. Por lá, pelos seus vales e encostas há muitos lobos, javalis, veados, ursos, ... e muita floresta de carvalhos e demais árvores como as nossas aqui. Vou construir naquele local um palácio lindo e ....»».

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Subindo do Fojo do Lobo de Travanca, rumo à Pedrada, foto de 12.08.2010

O rei não passava de um homem e, foi contagiado pelo entusiasmo da filha, pensando que exagerou ao dar-lhe a possibilidade de se tornar uma princesa feliz.

Sisudo, tentando observar o vácuo diz: "não minha filha, se esse sítio é como tu dizes, só pode ser digno de um rei".

Ele matou o sonho da sua filha, a sua princesa. Assim, ainda hoje lá estão aqueles pedregulhos de granito à espera de uma outra princesa que dê andamento à obra.

Quando hoje caminho pela Pedrada e observo aquela gigante cascalheira de pedras recordo a bonita lenda e recordo também como ela foi bonita para mim. Quem melhor ma contava era o ti Manuel Ramos ao me explicar como tinha ficado sem a sua mão ao manipular um petardo dos foguetes que lhe rebentou na mão.

«Luiz, nunca mexas nessas coisas. Não te esqueças que ainda podes vir a casar com uma princesa que vá acabar de construir o palácio à Pedrada».

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Foi uma grande subida, no calor de 12.08.2010, com a zona do Mezio, para trás, cheia de fumo, rumo ao Gião

Mas hoje, caminhando sobre os granitos da Pedrada, eu tento esquecer a lenda. Esqueço a princesa da Pedrada e o seu pai, um rei sem palavra.

Recorro à Geologia, à Morfologia das Rochas e vejo que o rei é o Tempo e que a princesa é a filha do tempo. Caminhando sobre a serra de Soajo, caminho sobre o tempo geológico e sou informado pelos especialistas que as suas rochas graníticas, tal como as dos planaltos de Castro Laboreiro são muito antigas pois têm mais de 300 milhões de anos.

Dizem-me também que todos os vales em U já foram glaciares. Estou a lembrar-me da Seida. A Seida é um vale quase em U e os gelos desciam da velha Pedrada rumo à montanha de Santo António de Vale de Poldros, desviando-se à esquerda rumando pelo vale do rio Vez. Também os especialistas me dizem que os granitos da Pedrada são resultado das intrusões das águas e dos gelos sobre os granitos e das grandes alterações das temperaturas térmicas, na caminhada dos milénios, delapidando-os.

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Esta foto, tirada de Arcos de Valdevez para a Pedrada, em 29.08.2016, péssima, devido às circunstâncias, foi por ela, ainda na máquina que eu soube que a Pedrada tinha ardido. Mas eu não acreditava, porque a foto era pequenina e eu fiquei com dúvidas. Pensei contudo fazer uma caminhada à Pedrada e só quando caminhava da Derrilheira para a Corga da Vagem, já com a Pedrada em frente do nariz, verifiquei, sem dúvida que tinha ardido mesmo. O muro, em cima, à esquerda, é o muro do Fojo do lobo pendurado sobre Travanca e Mezio

A Pedrada terá sido, então, através de milhões de anos e das várias eras geológicas um centro de gelos que desceram em seu redor em todas as direcções. Ela faz parte da cordilheira Central Ibérica o Massiço Hispérico que se estende rumo à serra da Estrela e por diante, nomeada Cordilheira Hercínica ou Varisca. É uma cadeia rochosa onde as forças compressivas se iniciaram no Devónico, por volta dos 380 milhões de anos e se prolongou até ao Pérmico por cerca de 100 milhões de anos. As rochas graníticas da Peneda, entre a Pedrada e o planalto de Castro Laboreiro, como a Meadinha, a fraga da Nédia e parte leste da serra do Gerês são milhões de anos mais novas que os granitos da serra de Soajo.

A cadeia Hercínica ou Varisca é constituída por rochas muito deformadas com predominância de rochas graníticas e muito metamorfizadas. São estas, grosso modo, os "madeirames" do berço da nossa serra de Soajo. Voltarei!

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Garranos na serra de Soajo, cavalos para os deuses